Livro 5: O Último Reino - Crônicas Saxônicas Vol. I
12:00Uma praia da Northumbria. Navios vikings se aproximam. Um menino de 10 anos, um jovem nobre inglês, vê os dragões e serpentes nas proas do inimigo e fica fascinado. E o fascínio que também vem até nós, leitores (como se a gente também estivesse naquela areia, vendo o invasor se aproximar), dá lugar à excitação, ao medo e à carnificina.
Cabeças rolam, pais perdem os primogênitos e a Inglaterra cristã é ameaçada pela força selvagem e pagã dos dinamarqueses. É no cenário frio e úmido de Bebbanburg que a guerra selvagem pela conquista da terra acontece e o autor, Bernard Cornwell, começa suas Crônicas Saxônicas.
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Detalhe: todas as capas, juntas, formam uma imagem MARA da invasão Viking![/caption]
Se você, como eu, assistiu/assiste Vikings e gosta de mitologia nórdica, essa é uma saga que vai te deixar fascinado até a última linha! Pra entrar ainda mais no clima, sugiro que você leia a resenha ouvindo isso daqui.
Diferente da série da TV, a história de 'O Último Reino' é contada pela perspectiva daquele menino inglês de 10 anos lá do primeiro parágrafo, o Earldorman Uhtred, filho de Uhtred, que era filho de Uhtred, cujo pai também se chamava Uhtred (muito criativo para nomes esse povo, né? E você aí achando que Jr. ou filho já era muito).
Esse garoto, que começa apenas como Osbert, o segundo filho de um Earl (conde) - destinado a ser padre ou qualquer outra coisa que os segundos filhos fossem destinados a ser - ganha vida quando os navios dinamarqueses invadem a costa de sua terra natal, matam seu irmão e o tornam herdeiro de um grande Senhor.
Acompanhando seu pai numa batalha que poderia decidir o futuro da Inglaterra, Uthred acaba órfão e é capturado pelo chefe inimigo, Ragnar.
(E não. ele não é o mesmo da série. É sim um guerreiro foda excelente, conquistador, earl, filho de Ravn, pai de Ragnar, e companheiro de Ubba, Ivar - o sem ossos, e Half. Mas não é casado com Lagertha, ou Aslaug aquela ruiva maldita, e não tem um filho chamado Bjorn. Sacanagem com o Team Lagertha :/)
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Como imaginar um Ragnar que não seja esse? (Imagem: Vikings Brasil)[/caption]
A partir de então a gente entra de cabeça no mundo viking e percebe o quanto o pessoal do History pincelou inspirações ali: As festas regadas a muita bebedeira e putaria, os sacrifícios animais e humanos, o culto aos deuses e suas profecias, a forma destemida e louca de empunhar as armas e enfrentar o inimigo, buscando uma vida gloriosa e uma morte digna de entrar em Valhala.
Enquanto Uhtred cresce, tratado como um filho por Ragnar e sua família, conhecemos os personagens ingleses (e reais) que também têm grande importância para a história - tanto do livro, quanto da Inglaterra. É nesse contexto que o rei Alfredo, O Grande aparece.
Ele, que realmente existiu no primeiro século depois de Cristo, foi o responsável por salvar Wessex (o tal 'Último Reino', único a não sucumbir à força de invasão dos pagãos) e, junto com seus filhos e neto, criou pela primeira vez, uma entidade política que chamaram de"Englaland".
Não sei nos outros livros, mas nesse primeiro momento, Alfredo é um personagem bem chato, que vive "comandado" pelos padres, e corre entre o confessionário e as orgias com as empregadas e servas. Não gostei dele desde o primeiro momento, e queria tanto que os dinamarqueses tomassem a coroa dele! Infelizmente a História inglesa traz pra gente o contrário.
Enfim... a minha paixão nesse livro foram as batalhas: em terra ou navais, a realidade cruel das gargantas cortadas, das entranhar do inimigo no chão, do mar quebrando navios e levando guerreiros para as profundezas é tanta, que dá até arrepios! E as paredes de escudo? Gente... aquilo dá um medo sinistro! Imagina você, cara a cara com o inimigo, batendo escudo e empurrando. O primeiro a ceder é o primeiro a ser derrotado (e morto).
(E você aí achando que o blog era rosa e só ia ter resenha de romance. HA. sou muito eclética, acredite)
Outra coisa fascinante é a questão religiosa, de como a Igreja Católica comandava o poder e o medo que teve de perdê-lo para Odin, Thor, Freya e cia. Isso porque os dinamarqueses não tinham dó, matavam, estupravam e saqueavam vilas, castelos E MOSTEIROS. Afinal, eles não acreditavam no Deus cristão, logo, as igrejas eram só um lugar onde se guardava os tesouros (Igreja rica desde sempre. Muito ouro, #Inshalá). Se Wessex não tivesse resistido, adeus cristianismo na Inglaterra!
Mas se você me perguntar o que eu mais gostei, vou responder como sempre: A relação perfeita entre personagens reais e fictícios. Eu sempre amo autores que sabem trabalhar com isso, porque:
1) demonstra um trabalho gigantesco de pesquisa e apuração dos fatos (qual jornalista não gosta de uma história verossímil?)
2) uma inteligência e habilidade de escrita para juntar fragmentos históricos reais, com tramas novas e totalmente críveis, mas que saíram da cabeça de uma única pessoa.
Sinceramente, vai ficar até difícil pular para "A Divina Comédia" (tema da resenha do próximo domingo), e só voltar às Crônicas Saxônicas no dia 9. Mas o desafio tá aí. Um livro por semana.
Se você ainda não leu, corre agora na Minhateca e baixa os sete livros de uma vez! Aqui tá o link do primeiro.
P.S: Em outubro desse ano, estreia a série da BBC baseada nessa história.
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E com um elenco que é UMA BELEZA hahaha <3[/caption]
'The Last Kingdom' promete ser MUITO mas MUITO boa! Deu curiosidade absoluta? Dá uma espiada no teaser:
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=f-LUPGNXb78?rel=0]
1 comentários
[…] de Bernard Cornwell (se você perdeu a resenha do primeiro livro da saga, dá um pulinho aqui pra […]
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